sábado, 18 de outubro de 2008

«10. Os que põem em causa a propaganda são traidores»

«Lord Ponsonby já tinha observado que qualquer tentativa de pôr em dúvida os relatos dos serviços de propaganda era imediatamente considerada uma falta de patriotismo, ou antes, uma traição.»
(...)
«Por conseguinte, está provado que durante um conflito ninguém tem o direito de perguntar em voz alta o porquê da guerra ou de pronunciar a palavra paz sem trair. Os meios de comunicação social dependem tão estritamente das autoridades políticas que num momento delicado lhes é impossível assegurar um verdadeiro pluralismo.
Decerto que as Constituições europeias não dizem que em tempo ode guerra a liberdade de opinião deve ser suprimida, mas na realidade assim acontece. Uma opinião amplamente difundida sustenta que em caso de guerra há que abster-se de qualquer oposição ao seu governo. É de rigor a União Sagrada.
No entanto, é em tempo de guerra que os erros dos governos mais caro podem custar, que a liberdade deveria estar garantida, para poder impedir os governos de causar danos.
Devemos, para não passarmos por traidores, abster-nos de qualquer oposição? Não poderemos ser "a favor" do nosso país se ele tiver razão mas "contra" se ele estiver errado? A justiça e a verdade não exigirão que defendamos os nossos inimigos se eles forem acusados de crimes que não cometeram? Correndo o risco de sermos acusados de alta traição...»